Talita Intuindo


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07/12/2004 10:33
Roubar-se a Vida

Um tema delicado, de pele rosada que logo torna-se pálida, de olhos brilhantes que sem motivo fecham-se para a vida.

Ela sabia pouco sobre o mundo, mas mesmo assim o mundo pesava-lhe sobre os ombros, tinha amigas, admiradores, mas também tinha segredos, que sufocavam-lhe aos poucos.
Momentos felizes nunca vinham-lhe com a intensidade desejada, já os triste, eram uma rotina exaustiva de lágrimas atrás de lágrimas.
Tinha sonhos, era evidente que sim, muitos, loucos, sonhos que não perdoariam seu triste fim, sonhos que a seu ver, nunca concretizariam-se.
A imagem no espelho era vistosa, mas o vazio no olhar denunciava um negro pesar, o sorriso era radiante, mas a expressão verdadeira não acompanhava os lábios, difícil definir, quando esta beleza torna-se apenas lembrança.
Estava consciente no momento indefinido, estava perdida em meio a sua falta de sentido, o tédio corrompia-lhe a alma, mas mesmo assim sobrou-lhe alguma força para digitar últimas palavras.
Declarou sua falta de razão, atestou que eram muitos os motivos para continuar, mas sentia dor, uma dor corrosiva, uma dor que não ousou declarar, roubando assim as reticências da curta vida.
Entregou-se a um salto de sensacionalismo e loucura, um salto de fuga, um salto que definiria muito mais do que o desfecho da sua história, um salto que interrompeu uma nem iniciada trajetória.
O vento que não libertou, a pressão que ao corpo surrou, a água que parecia purificar-lhe, o cenário tão familiar que agora tornara-se sombrio, tudo perdeu-se naquele momento sem perdão.
Da bela menina, apenas um corpo estirado, boiando sem vida, sem resposta, sem sentido, sem razão. Lágrimas agora seriam em vão.
Os pais procuram pistas que expliquem e aliviem a culpa que os assola, os amigos desejam que esteja bem aonde quer que se encontre, os estranhos tentam definir em palavras o que foi o fato, mas nada trará de volta os seus passos, nem ninguém dará a ela uma segunda chance.



A vida é um dom divino, o único talvez que tenhamos algum controle, e as vezes, penso que melhor seria não o termos sob nosso domínio, pois em momentos de aflição, jogamos tudo para o alto, perdemos a razão e esquecemos que depois de uma noite triste, sempre vem um novo dia, e só cabe a nós torná-lo feliz.
Caminhar não é fácil quando se está descalço e existem pedras no caminho, mas desistir é tornar-se indigno do próprio destino.
Viver, mais do respirar, é conseguir enxergar as inumeras possibilidades que a vida nos dá, é saber aceitar que não existe mar de rosas, nem de espinhos, o que existe são novas conquistas e desafios.
Nem sempre conseguiremos tudo aquilo que desejarmos, mas a tentativa, a busca pelo melhor, será sempre gratificante, já a fuga, nunca acrescentará nada, apenas lhe roubará a chance de vencer.
Descubra, encare, abrace a vida, pois a morte só lhe permite um único ato.

Talita Ribeiro
enviada por Talita_R_C






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