31/12/2004 00:27
A Torre
Inquieta, revira-se na cama, o corpo quente envolvido em um sonho qualquer, ao pé do abismo sempre um anjo a surgir, irrita-se, maldita persistência do anjo, tenta mais uma vez, mas quando o corpo iria entregar-se o anjo ressurge, fala, discute e impede a consumação do ato.
Ela acorda, desnorteada com tamanha intensidade dos tais sonhos, o corpo ainda sente sensações, vestígios do delírio que não passa.
Lava o rosto, olha o tempo, sente-se ainda presa ao contexto e volta para a arena. Lá, dois ângulos brigam e o corpo suplica por uma definição. Não sei bem ao certo se entrega-se ao pecado ou apenas tenta acalentar o corpo, o fato é, que depois da sensação de desconforto ela consegue finalmente dormir.
Na manhã que logo beija-a, ao contrário do que poderia esperar as lembranças do tal sonho continuam a instigar sua mente, seriam demônios que teriam visitado-a? Os detalhes minunciosamente gravados, o corpo com marcas e sensações em todos os lados, tudo a levava a crêr que aquilo não era normal.
Tentou distrair-se e em grande parte do dia conseguiu, a noite outras sensações a esperavam, talvez fosse do inferno ao céu ou vice-versa.
Em meio a multidão uma frieza inexplicável tomou-a, não conseguia se quer falar, nada além do necessário, os pensamentos voavam, numa velocidade difícil de acompanhar, mas em uma direção certa, para longe, muito longe dali, eles queriam fugir, mas ela havia saído na chuva, só não pensava que iria se molhar com lágrimas.
Todos cantavam em coro, uma única voz, que proclamava coisas que ela já conhecia, que despertavam-lhe uma estranha euforia que não conseguia expressar. Começou a sentir-se oprimida, os olhos eram inundados, as mãos em vão tentavam barrar as palavras que saiam do coração, mas não achavam voz que as gritassem.
Uma voz amiga disse-lhe coisas bonitas ao ouvido, os rios corriam ao destino da incerteza, da falta de clareza que ainda iria assolá-la e muito.
A partir de então, só queria ombro, segurança, sentir-se amparada em meio a guerra que espiritualmente estava declarada.
O futuro a Deus pertence.
Talita Ribeiro Carneiro
enviada por Talita_R_C
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