Talita Intuindo


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13/11/2004 23:00
Noturna

Sentia-se aflita, desconsolada com a solidão que começava a assolá-la. Os olhos cansados de ler, muitas vezes venciam-lhe o interesse, era inegável que o livro realmente lhe parecia interessantíssimo, mas o coração inquieto, quebrava-lhe a concentração e tudo de repente em tons cinzas convertia-se.
Pensava em antigos casos, em casos que nunca tornaram-se reais, pensava o que haveria por detrás de toda aquela nostálgia. Criava futuras estórias, como para convencer o destino, mas o presente continuava vazio e isso ampliava o clima frio daquela noite.
Não raramente, tocava-se, despertava o prazer, aquecia a pele macia por instantes, instantes que tentava eternizar, mas sem consentir, estes lhe escorriam entre os dedos.
Todas tentativas de distração pareciam-lhe inúteis, as palavras por mais interessantes que fossem, cansavam-lhe os olhos sem brilho, as músicas lembravam-lhe de sonhos, outrora vividos, e de rostos que ainda deixavam-lhe desnorteada, a TV sempre lhe entediara, estudar nem adiantaria tentar, sua mente estava em qualquer outro lugar, menos consigo.
Um som cortou o silêncio esmagador, e ainda sem reconhecer a expectativa que de repente lhe tomara, atendeu sem hesitar, nenhuma palavra ouviu, apenas segundos mudos, acompanhados de um triste final. Seria engano? Nenhuma resposta se quer.
Tentou voltar aos contos, mas a primeira palavra que leu a derrubou, desarmou seus olhos, deixando as lágrimas sem consolo derramar.
Ah o Amor! Por qual motivo, quando encontra-se ausente, nos induz a um abismo?
Tentava conter as mágoas que molhavam-lhe a face, mas era em vão. Correu para a janela em busca de uma brisa qualquer, mas logo deparou-se com as grades, que apertavam-lhe o belo rosto emoldurado, enquanto teimava em transgredir os limites.
O olhar desolado sobre a rua, anunciava uma triste fúria, o sentido parecia perdido, lembrava-se das amigas que deveriam neste momento estar dançando ou embebedando-se, não sentiu inveja, apenas uma profunda solidão.
As lágrimas aos poucos iam secando, o coração acalentando-se e tudo em alguns minutos voltaria ao normal. A normalidade quase banal dos dias.



Talita Ribeiro
enviada por Talita_R_C






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